O Que Falta Na Minha Cidade


Aldeias sem condições de vida

    Alcides da Siva Ferreira
    Por Alcides da Siva Ferreira

    Infelizmente quando os governantes e instituições diversas analisam as condições de vida só pensam nos seus próprios interesses e aplicam verbas principalmente nas cidade e nas vilas mas esquecem as aldeias que são a maioria das povoações existentes no nosso País. Eu nasci numa aldeia e tal como os meus pais fomos obrigados a vir viver para a cidade por não existirem condições de vida na aldeia, se me perguntarem, claro que preferia viver na aldeia se tivesse lá um trabalho que me permitisse sustentar a família. O que falta nas aldeias: Transportes para a vila mais próxima pois nas aldeias não há supermercados, correios, repartições de finanças, postos médicos, etc, por isso os moradores têm de se deslocar á vila mais próxima frequentemente, se nas cidades não há trabalho para todos nas aldeias praticamente não há nenhum, no que se refere ás telecomunicações, na maioria das aldeias não se consegue obter sinal para usar o telemóvel de algumas redes, também há muitas aldeias em que estão fora de alcance do sinal digital de televisão por isso quem quiser ver televisão só com um serviço pago por satélite o qual tem de manter pelo menos um ano e depois cancelando o contrato a empresa fornecedora desse serviço (a Meo) é obrigada a deixar os 4 canais livres (rtp1 e 2, sic e tvi), no que se refere ao telefone e internet esqueçam os operadores mais baratos (Vodafone e Nos) nas aldeias e na maioria das vilas só existe a Meo e por incrível que pareça os preços são absurdamente mais caros e no que respeita à internet independentemente do pacote de serviço,  a velocidade máxima real são 2 MB, e o preço mínimo para se ter essas condições de internet, telefone e 16 canais de televisão por satélite são 49,00 euros mensais, enquanto, por exemplo, eu na cidade de Lisboa tenho internet com100 MB de velocidade, telefone gratuito para números fixos e 128 canais de tv e pago 26,00 euros mensais por este serviço, no que respeita á eletricidade, enquanto que nas cidades e nas vilas raramente há "apagões" nas aldeias isso é muito frequente principalmente no inverno. Se repararem nas imagens, quando virem a volta á França em bicicleta, verão que lá não há terrenos abandonados, nem pelo estado nem por particulares, lá têm tudo organizado e rentabilizado e naturalmente as verbas provenientes da agricultura e silvicultura cobrem as despesas porque aproveitam tudo o que a natureza lhes dá e têm uma excelente rede de distribuição de bens agrícolas e assim conseguem viver da agricultura o que em Portugal não é possível para pequenos e médios agricultores, por isso praticamente só subsistem por cá os grandes produtores, os que têm enormes herdades. Em 1992 e 1993 nas férias do meu trabalho fui para a França para trabalhar na agricultura, mais precisamente na "apanha do morango", apesar de ter cá um trabalho numa boa empresa como técnico administrativo lá em 20 dias ganhei três vezes mais do que aqui ganhava num mês, o patrão para quem eu e outros trabalhamos só vivia da agricultura, e mesmo outros franceses com terras de dimensão mais reduzida também viviam com os rendimentos agrícolas. Em Portugal os meus pais também têm terreno igual ao desses agricultores mas não conseguiam viver da agricultura, e porquê? É simples, em Portugal não há a quem vender os produtos agrícolas e assim a maioria das pessoas têm uma agricultura de subsistência, produzem só para se alimentar mas depois não têm dinheiro para se vestir, estudar, etc, por isso deixam as aldeias. Na França em 1992 já existia, não sei há quantos anos, uma rede de centros de entrega de bens agrícolas, do género de grandes edifícios e armazéns frigoríficos com camiões constantemente a entrar vazios e a sair carregados de produtos diversos. Esses centros estão por todo o lado tal como por cá estão os centros de inspeção automóvel, qualquer pessoa francesa ou emigrante que esteja legalizado chega a um desses centros e pode deixar os seus bens agrícolas, seja o que for, batatas, cerejas, maçãs, cogumelos, etc,etc, o procedimento é o produto ser pesado e depois sai um talão com os nossos dados, o nome do produto agrícola entregue e o seu peso o qual é multiplicado pelo preço (o preço é o resultado da oferta e da procura, se houver pouca oferta e muita procura o preço sobe, se for ao contrário acontece o inverso e este processo está em rede com todos os centros do País por isso é uma cotação a nível geral da França), no talão são logo descontados os impostos para o estado e com esse talão 15 dias depois vai-se novamente ao centro e recebe-se a quantia nele indicada. Isto sim, assim dá gosto ser agricultor, a França é um PAÍS A SÉRIO...

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